Preconceito
Eu nunca havia vivido uma situação em que me senti discriminada. Hoje foi claro o preconceito.
Fui a uma festa na casa de Ivan – um amigo peruano – onde dançamos todos os tipos de música latina, tomamos cerveja e nos divertimos muito. A política aqui é de não fumar em locais fechados; isso acontece nas casas também. Ivan, junto com um amigo americano, um russo e um mexicano fomos a entrada da casa fumar “un cigarrillo”. Do outro lado da rua há uma casa onde moram garotos, uma república. Eles começaram a gritar que nós deveríamos voltar para casa, para nosso país. Eles gritavam que não somos daqui e questionavam o que fazemos aqui. (somos latinos e esse país é rico porque nos explorou) Não entramos no mérito histórico da questão; pensamos que eram garotos que saíram dos bares e embriagados queriam de alguma forma liberar o estresse. Eles insistiram que meus amigos eram gays, gays latinos que não deveriam estar aqui. Nós insistimos em ficar onde estávamos, pois apenas queríamos curtir a conversa e fumar nosso cigarrinho. A insistência dos garotos continuou e nosso amigo – ele é grande! Jogador de rugby, forte e muito grande – saiu para ver se precisávamos de ajuda, pois ele também é americano, mas os garotos o chamavam para se juntar a eles, pois eles são norte americanos e nós latino americanos.
Final da história? Nós, bolsistas, simplesmente nos recolhemos; sabemos que não somos piores que os garotos que estão ainda descobrindo o que é a vida. Entramos e continuamos a festejar nossa vitória de término de trimestre. Ivan atravessou a rua e apertou a mão do único garoto que permaneceu na varanda, afinal de contas ele são vizinhos.
Festejamos com mais música latina e com o orgulho de sermos todos, ou quase todos, de países onde a língua deriva do latim. Todos nós temos sangue “caliente” correndo em nossas veias; nossos amigos norte americanos são muito bem vindos em nossas festa. Porque os garotos agiram dessa forma, não sabemos, mas os desculpamos, porque provavelmente eles não conhecem o que realmente é a diversidade desse mundo.
Nosso amigo norte americano, que também curtia seu tabaco, só sabia dizer o quanto se sentia envergonhado.
Preconceito 2
Ouvir falar de “jeitinho brasileiro” não é nada bom.
Se eu já sonhava com um mundo onde não houvesse rótulos, agora ainda mais.
Não é o jeitinho brasileiro que me faz não gostar de decorar coisas para prova, mas sim o jeito de ser uma pessoa que gosta de analisar, interpretar e também de levar em consideração o contexto em que cada coisa se insere.
Não acho que seja “jeitinho brasileiro”, mas sim jeitinho humano de ser.
Meus alunos sabem disso: analisar obra literária sem ter a obra em suas mãos? Sem chance!
No entanto, nas demais disciplinas eu me dei bem. Quase total em tudo! Isso significa 9 em 10, 2 em 3, 3 em 3. Na maioria, 9 em 10! Em algumas provas não fui muito bem, mas em geral, sim!
No próximo trimestre estudarei:
Ditaduras na América latina, Literatura espanhola e uma disciplina que tem como título “Sexualidade e gênero”. Esta faz parte do programa de “Women's Studies”; esse é um programa de estudo feminista no qual vou me especializar.
Falando em minha formação... já delimitei o tema de minha tese:
larguei a idéia de trabalhar sobre a burocracia e vou aboradar ditadura. Vou me concentrar na Argentina e falar sobre, especificamente, os anos que chamam de “guerra sucia”, guerra suja. Vou me concentrar no trabalho da escritora Alicia Kozameh e fazer um estudo histórico do momento. Isso significa muita leitura e pesquisa! Quero ler os registros das pessoas desaparecidas no período e relatos sobre a ditadura.
Além disso, vou me especializar em estudos feministas, portanto, além de ter um diploma de mestrado, trabalharei em um certificado de especialização! Estou bastante animada, pois as disciplinas são ótimas!
Saudade... sinto muita saudade da “minha” Savassi e de Roberto Drummond para quem eu sempre dava “bom dia”. Sinto falta de tomar Capuccino na Kopenhagen, na Cafeteria ou no Café do Museu. Cerveja no copo lagoinha, caipirinha e todos meus amigos (não necessariamente nessa ordem!), familiares etc.
“Minha pátira é minha língua”
Sinto falta da minha língua
da minha pátria
do meu eu.
Sinto falta de ti
“ó pátria amada
Brasil.”
Resulados desse trimestre:
Um dente quebrado,
olheiras
e déficit de atenção.
Alguma sugestão?!
A verdade é que amo todos vocês.
Cuidem-se!
Um beijo BEM BRASILEIRONORTEAMERICANO!
Aguardem mais fotos!
As enviarei.

2 comments:
"Tristes tempos os nossos! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito." Disse Einstein, em algum instante de sua vida, muitos anos atrás.
Triste mesmo, meu caro Einstein,é perceber que, ainda hoje, tropeçamos na mesma enorme pedra do preconceito, que não desintegrou.
Sua língua aos preconceituosos!
É isso aí! Uma língua bem grande para os preconceituosos que não sabem valorizar as diferenças que há em cada um de nós!
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