Sunday, May 10, 2009

O centauro no jardim (The Centaur in the Garden) – Moacyr Scliar

Semana passada li o romance “O centauro no jardim” de Moacyr Scliar. Excelente livro que com um toque de Realismo Mágico trata da busca do ser humano por sua natureza; a nossa luta diária pela liberdade e pelo direito de sermos aquilo que realmente somos. Scliar narra a “arqueologia de fantasias”; a decomposição das “camadas de mentiras [...] superpostas” para expor a verdade sobre quem somos “se é que ela existe” (p.229).

“Eu habito a fronteira de dois mundos, dois mundos que me rechaçam, estou condenado a vagar pela vida como alma penada...” (p.41)

Guedali nasceu centauro e vive entre dois mundos: o humano e o eqüino. O menino cresceu isolado sem interações sociais. Quando nasceu, por alguns dias sua mãe não pronunciou uma só palavra por estar em choque. O pai foi aconselhado a matá-lo. O irmão o discriminava. Suas irmãs brincavam com ele, mas quando foi preciso apresentá-lo a alguém de fora, preferiram mantê-lo escondido no porão. Dessa forma, Guedali viveu anos em busca de sua verdadeira natureza: era ele homem ou cavalo?

Apaixonou-se, fingiu ser um homem vestido em fantasia de centauro, trabalhou no circo, mas somente quando conheceu uma centaura pode viver sua natureza. Juntos, Guedali e Tita galopavam nos campos da fazenda. Eram felizes até que descobriram um cirurgião plástico famoso que certamente conseguiria transformar centauro em ser humano.

Guedali não se encontrou. Ainda que tivessem amigos, frequentassem restaurantes, bares, festas, estariam sempre a questionar sua existência. Tita e Guedali foram inseridos na sociedade, mas extraídos de sua natureza afim de que sejam parte do grande time. Por viverem na fantasia de que são pessoas como todas as outras, sentem falta da liberdade de ser o que eram; sentiam falta de galopar nos campos da fazenda.

A história do centauro me chamou atenção não somente pela excelência literária, mas sobretudo pelas questões que propõe. Para mim ficam as seguintes perguntas: “Somos livres para sermos quem realmente somos? Mais ainda, sabemos quem somos?”

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Last week I read the novel “The Centaur in the Garden” from Moacyr Scliar. It is an excellent book that uses a bit of Magic Realism to deal with human beings’ search for their own nature; our daily fight for freedom and the right of being who we really are. Scliar narrates how we dig into the layers of lies to expose who we truly are, if we can say there is a truth.

Guedali is born a centaur and lives between both worlds: the human and the equine worlds. He was raised isolated from society. When he was born, for some days his mom would not say a word for she was in shock. His father suggested they killed him. His brother discriminated him. And his sisters played with Guedali; however, when they had the opportunity to introduce him to an outsider, they preferred to keep him hidden in the basement. Thus, Guedali spent years searching for his true nature: was he a man or a horse?

He fell in love, pretended to be a man in a Centaur’s costume, worked in a circus, but only after meeting a centaur he could live his own nature. Together Guedali and Tita galloped in the farm’s fields. They were happy until they found out there was a famous plastic surgeon who would certainly be able to transform centaur into human being.

But Guedali never discovered who he was. Even having friends, going to restaurants, bars, parties, they would always question theire existence. Tita and Guedali were inserted into society; nevertheless they were removed from their nature in order to be part of the group.

The Centaur’s story called my attention not only for the excellence; moreover, it called my attention to certain topics to be discussed. For me two questions remain: “Are we free to be who we really are? Moreover, who are we?

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